O legado do Visconde e do Conde de Aljezur no Império Brasileiro
- Dr. Alexandre Carvalho Pinto Coelho

- 1 de nov. de 2024
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O Visconde e, mais tarde, Conde de Aljezur, Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, foi uma figura proeminente no Império Brasileiro. Conhecido por sua estreita associação com a família imperial e por suas contribuições à sociedade brasileira e portuguesa, sua trajetória reflete os intrincados laços entre a nobreza e a paisagem sociopolítica do século XIX.
Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho nasceu em uma família nobre com raízes profundas tanto no Brasil quanto em Portugal. Ele era filho de Francisco de Lemos de Azeredo Coutinho e Maria Carolina Pinto Coelho da Cunha. Seu casamento com D. Maria Rita de Noronha, a primeira viscondessa de Aljezur, e posteriormente com Ana Carolina de Saldanha Gama, reforçou suas conexões aristocráticas, embora não tenha deixado descendentes.
Inicialmente, recebeu o título de Visconde de Aljezur em 1858, concedido por Dom Pedro V de Portugal. Posteriormente, em 1878, foi elevado ao título de Conde. Ao longo de sua vida, foi agraciado com diversas honrarias, incluindo a Comenda da Ordem da Estrela do Polar da Suécia e a Ordem de Cristo do Brasil. Além disso, foi um fidalgo da Casa Imperial, destacando-se por sua influência dentro da corte brasileira.
Francisco Coutinho foi um dos mais leais companheiros do Imperador Dom Pedro II, acompanhando-o inclusive no exílio após a proclamação da República em 1889. Além disso, administrou o Morgado de Marapicu, uma grande propriedade localizada no Rio de Janeiro, evidenciando sua importância na aristocracia e na economia do período imperial.
Sua contribuição mais duradoura foi sua atuação na Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP). Em 1872, fundou a primeira Conferência Vicentina no Rio de Janeiro, impulsionando a expansão da organização de caridade no Brasil. Seu compromisso com causas sociais também se refletiu em sua atuação em Portugal, onde ajudou a estabelecer organizações beneficentes similares.
A vida do Conde de Aljezur exemplifica a interconexão da nobreza brasileira e portuguesa no século XIX, destacando os intercâmbios culturais e os laços históricos entre as duas nações. Seu papel na filantropia e na corte imperial ressalta a influência da aristocracia na formação dos valores sociais e políticos do período.
O legado de Francisco Coutinho continua a ser um objeto de estudo importante para entender as dinâmicas de poder, influência e filantropia no Brasil imperial. Além disso, sua trajetória oferece um valioso exemplo do papel da nobreza na transição do Brasil de uma monarquia para uma república.
O Visconde e Conde de Aljezur foi uma figura marcante na história do Império Brasileiro, desempenhando papéis-chave na administração, filantropia e na corte imperial. Sua dedicação ao bem-estar social e sua fidelidade à monarquia refletem as complexidades da nobreza no século XIX. Seu impacto perdura, sendo lembrado por suas contribuições para a sociedade e pela influência que exerceu no Brasil e em Portugal.



