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A Questão Dinástica e as Perspectivas de Restauração Monárquica na Geórgia

Atualizado: 11 de dez. de 2025

A Geórgia, um país com uma rica herança histórica e cultural, tem assistido a um ressurgimento no debate sobre a sua forma de governo e, em particular, sobre a restauração da Monarquia. O tema é indissociável da Questão Dinástica da Casa de Bagration (Bagratides), uma das mais antigas famílias reais da cristandade, que governou a Geórgia durante grande parte da sua história milenar.


A dinastia Bagrationi, embora formalmente deposta pela anexação russa em 1801, mantém-se como um poderoso símbolo de identidade nacional e continuidade histórica para muitos georgianos. A sua longa linhagem, que remonta a séculos, evoca a "Idade de Ouro" da Geórgia, nomeadamente sob o reinado de figuras como David IV, o Construtor, e a Rainha Tamara, a Grande.


O foco da questão dinástica reside, atualmente, na unificação dos ramos da família. Um passo significativo nesse sentido foi o casamento em 2009 entre o Príncipe David Bagrationi Mukhrani, chefe do Ramo Mukhrani, e a Princesa Ana Bagrationi Gruzinsky, descendente do último rei da Geórgia, Jorge XII. Este matrimônio foi amplamente interpretado como uma tentativa de conciliar as reivindicações dos dois ramos principais da Casa Real, oferecendo uma linha sucessória unificada e, potencialmente, mais aceitável para um hipotético regresso ao trono.


O debate sobre a monarquia na Geórgia ultrapassa o mero folclore histórico; ele toca na busca por um símbolo nacional que transcenda as divisões partidárias e a volátil política pós-soviética. Os defensores da restauração argumentam que uma monarquia constitucional poderia fornecer uma figura de Estado neutra e unificadora, um contrapeso aos ciclos de polarização política observados desde a independência em 1991. A figura do monarca, desvinculada das lutas partidárias, poderia atuar como um árbitro moral e político, à semelhança de outras monarquias europeias.


Contudo, a ideia não é isenta de ceticismo. Os críticos levantam questões sobre a relevância prática da monarquia num Estado moderno e democrático, a ausência de um consenso esmagador e a necessidade de resolver o complexo enquadramento legal e constitucional que tal mudança implicaria. Além disso, a fragmentação interna da própria família Bagrationi, embora minorada, representa um obstáculo à apresentação de um candidato inequívoco ao trono.


Embora a Geórgia seja um estado constitucional e parlamentar estável, que não é o mesmo que república, a popularidade da ideia monárquica cada vez mais aumenta e permanece uma característica latente no panorama político. A Igreja Ortodoxa Georgiana, uma instituição com grande autoridade moral, demonstra frequentemente o seu apoio à família Bagrationi, conferindo-lhe uma significativa legitimidade social.


A restauração da Monarquia na Geórgia, acredito que se concretizará num futuro próximo, será um reflexo da profunda aspiração nacional em reafirmar a sua identidade histórica única e encontrar um modelo de estabilidade política. A Questão Dinástica é, assim, o coração de uma narrativa mais ampla: a busca da Geórgia por um lugar na Europa que honre o seu passado, enquanto abraça um futuro estável e promissor com a restauração da Monarquia.

 
 
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