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Entrevista com o Príncipe S.A.R. D. Luiz Philippe de Orleans e Bragança

Atualizado: 26 de nov. de 2025

Boa tarde, D. Luiz Philippe de Orleans e Bragança. Muito obrigado por nos receber para esta entrevista especial sobre a restauração da Monarquia no Brasil. Para começar, gostaríamos de saber qual é a sua visão sobre a possibilidade de restaurar a Monarquia no país?

A restauração ou instalação do sistema monárquico é possível e desejável, mas se trata de um processo de médio ou longo prazo, pois certas condições são necessárias para que isso aconteça. A população precisa querer mudar o sistema atual por meio, principalmente, da valorização histórica do Brasil e de sua identidade, indo na contramão da doutrinação. Os brasileiros têm em sua memória coletiva o DNA monárquico, mas isso foi sendo suplantado por gerações, e substituído por uma cultura artificial e obscura, de forma que precisamos consertar o Brasil a partir da mentalidade, da retomada do bom senso.

Como você enxerga o papel de uma figura monárquica em um sistema político contemporâneo? Como ela poderia contribuir para a governança do Brasil nos dias de hoje?

Ser membro de uma família imperial não reinante, que é o caso do Brasil, apresenta mais desafios que privilégios. Pertencer à família representa exercer a missão de ser exemplo para a sociedade, pois descender de Dom Pedro II ou da Princesa Isabel, por exemplo, é uma grande responsabilidade. Eles foram grandes figuras históricas e fazem parte do imaginário e da tradição brasileira. Entretanto, cada um de nós tem o seu caminho e procura contribuir com o Brasil à sua maneira. No meu caso, estou envolvido em projetos de mudanças profundas no sistema político, sou autor de livros e mais de 500 projetos na Câmara. Embora esteja sempre atento a tudo o que tem acontecido na sociedade, insisto que precisamos reformar o sistema todo em profundidade, e para isso elaboramos o Plano Brasil, que é uma proposta bem ampla e ousada de mudança.

Quais seriam os desafios e as oportunidades de se restaurar a Monarquia no Brasil? Como você imagina que a transição poderia ser conduzida?

Dos dez países que detém o maior IDH, sete são monarquias. Países como Noruega, Dinamarca, Inglaterra e Canadá são exemplos de como um sistema pode ser determinante para melhorar a qualidade de vida da população. No meu livro “Por que o Brasil é um país atrasado”, explico detalhadamente a separação entre chefe de governo e chefe de estado, como estes exercem papéis diferentes e não centralizam todas as atribuições de governança. No Brasil, a concentração de poder em um presidente e em um juiz federal nomeado são o oposto de uma monarquia constitucional. Esse é o primeiro passo: recuperar a descentralização que vivemos na nossa formação como estado, na época da nossa primeira e mais duradoura constituição. Para outorgar a nossa primeira carta magna, Dom Pedro I fez quase dois anos de consultas à população submetendo o texto ao escrutínio público.

Como você imagina o papel da família imperial brasileira em um eventual retorno da Monarquia? De que forma os membros da família poderiam contribuir para o desenvolvimento e a promoção do país?

As monarquias constitucionais atuais atuam em várias frentes em seus países: são os embaixadores naturais, em vista de representarem a nação como povo e tradição. Esse é um primeiro aspecto indiscutível. Mas o principal é de exercer o Poder Moderador dentro de seu país, um poder que perdemos com a República é que certamente teria evitado a enxurrada de desmandos e desgraças em que o Brasil caiu desde 1889. Com o Poder Moderador, o monarca tem poder de veto a certos decretos, leis e nomeações abusivos, por exemplo. Nesse sentido, o modelo de monarquia parlamentarista tem sido mais bem sucedido e é um caminho viável para o Brasil.

Por fim, D. Luiz Philippe, qual é a sua mensagem para os brasileiros que estão interessados na restauração da Monarquia e no fortalecimento da identidade nacional?

Minha mensagem vai para todos os brasileiros, não apenas aos monarquistas, pois não podemos nos isolar, mas cada um deve ter um papel ativo para mudar o Brasil. Organizem-se. Mobilizem-se para lutar pelo que acreditam. Não conheço segmento da sociedade mais esclarecido e culto que o dos monarquistas, quase sempre incompreendidos, mesmo dentro de seu círculo familiar e social. Vale a pena acreditar no Brasil e nos brasileiros.

 
 
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