Entre o Brasil Real e o Brasil Inventado
- Dr. Rodrigo Vasconcelos Martins

- 22 de nov. de 2024
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A maioria de nós nasceu sob a República Federativa do Brasil, pertencente a gerações que, infelizmente, não conheceram o Império do Brasil. Aqueles que hoje compreendem o que foi o Império do Brasil são, em sua maioria, os que se dedicaram a buscar a verdadeira história da nossa nação — não a versão amplamente distorcida e reescrita após o golpe militar de 1889.
Em pleno século XXI, enquanto o mundo passa por uma transformação profunda — desde a maneira como nos comunicamos, interagimos e nos informamos, até o surgimento de tecnologias revolucionárias, como a Inteligência Artificial e a digitalização de praticamente todas as áreas do conhecimento humano —, também testemunhamos, no Brasil, um crescente despertar. Vivemos um despertar essencial — um anseio crescente pela verdade sobre a nossa história, pelo renascimento da fé cristã e pelo resgate dos valores fundamentais que, por tanto tempo, foram esquecidos ou deturpados. Esse despertar nunca foi tão providencial. O povo brasileiro, ainda diante de um abismo, agora o contempla com maior consciência e discernimento, graças à atuação firme e silenciosa de verdadeiros guerreiros — autênticos neo-templários dos nossos dias — que, cada um em seu campo de batalha, trabalham para despertar corações e mentes adormecidas. São pessoas comuns, mas extraordinárias em sua lucidez: jornalistas, juristas, políticos, empresários, intelectuais e tantos outros homens e mulheres verdadeiramente de bem, que compreendem a urgência de salvar esta nação grandiosa das garras do mal que ainda a ameaçam.
A história da humanidade não se constrói em dias ou anos, mas em séculos — e, muitas vezes, em milênios. Basta recordarmos a luta incansável travada pelos ancestrais da maioria dos brasileiros, que durante sete séculos resistiram aos inimigos de Cristo, desde a invasão muçulmana da Península Ibérica, em 711 d.C., até o triunfo da Reconquista cristã: primeiro com Portugal, que completou sua libertação em 1249 com a tomada de Faro, e finalmente com a Espanha, ao conquistar a cidade de Granada em 1492. Essa memória nos ensina que o Brasil ainda está no início de sua jornada histórica. Afinal, são apenas 525 anos diante de uma linha do tempo muito mais ampla — e o caminho a percorrer é tão longo quanto nobre. Ao contemplarmos a atual situação do Brasil — fruto de um longo processo de desconstrução e deterioração iniciado em 1889 — é inevitável o sentimento de impotência e desalento. A injúria, a corrupção sistêmica e a perda dos nossos valores fundamentais — como a honra, a verdade, a cristandade, a sabedoria e a consciência da nossa história, tanto anterior quanto posterior a 1500 — parecem, por vezes, uma realidade imutável. No entanto, é preciso refletir: quando, em nossa história recente, vimos tantas pessoas de bem — historiadores sérios, políticos honrados, jornalistas autênticos, juristas comprometidos com a justiça, empresários dignos de respeito — cada qual em seu campo de batalha, em defesa da nação? Eu, sinceramente, não me recordo de ter presenciado algo assim antes. E estamos falando de um movimento que emergiu há apenas alguns poucos anos.
Só isso, por si só, já é sinal de que algo extraordinário está em curso. Em parte, silencioso, em parte visível, este despertar positivo nos mostra que o Brasil ainda tem alma — e que ela está reagindo.
Ao mesmo tempo, os brasileiros vêm redescobrindo a sua verdadeira história — e, com isso, tomando consciência de quão grandiosa era a nossa nação até o final do Segundo Reinado. Um país respeitado, lúcido, valoroso, estável, seguro e unido, conduzido com sabedoria por nosso Imperador Dom Pedro II e sua família, naquela monarquia constitucional e parlamentarista muito à frente de seu tempo.
O Brasil é uma nação muito jovem que passou por profundas transformações em um curto espaço de tempo. Para compreendê-lo verdadeiramente e resgatar sua identidade nos dias de hoje, é indispensável conhecer os fatos históricos que antecederam o seu achamento em 22 de abril de 1500. Entre eles, destaca-se — e de forma especial — a revelação feita por Nosso Senhor Jesus Cristo, em 1139, às vésperas da Batalha de Ourique, ao futuro primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques. Também é fundamental conhecer a história anterior da Península Ibérica, envolvendo a Hispânia, o Condado Portucalense e do Brasil pré 1889. Ao trilharmos esse caminho de conhecimento e memória, seremos capazes de enxergar, com clareza e reverência, a verdadeira grandeza do Brasil e a nobreza de seu povo. E, assim, poderemos guiá-lo de volta aos trilhos do seu alto destino — destino este que exige, desde o início, o zelo de confiá-lo a mãos limpas, justas e honradas. Pois somente assim, alicerçado na verdade e na virtude, o Brasil poderá florescer em toda a sua glória, tanto no presente quanto no porvir.



