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A Imperial Ordem da Rosa

Atualizado: 30 de nov. de 2025

A história do Brasil Império é rica em símbolos e tradições, e entre as mais prestigiosas condecorações da época está a Imperial Ordem da Rosa. Criada por um ato de amor e elevada à principal ordem honorífica da nação, ela transcendeu o fim do regime monárquico e hoje perdura como um vibrante elo da tradição da Casa Imperial do Brasil.


A Imperial Ordem da Rosa foi instituída pelo Imperador Dom Pedro I em 17 de outubro de 1829. A motivação por trás da criação era profundamente pessoal e romântica: celebrar seu segundo casamento, realizado em 2 de agosto daquele ano, com a Princesa Amélia de Leuchtenberg e Eischstädt, que se tornou a Imperatriz Dona Amélia.


A insígnia da Ordem é uma das mais belas e simbólicas. Consiste em uma estrela branca de seis pontas, unidas por uma guirlanda de rosas. No centro, um medalhão redondo exibe as letras "P" e "A" entrelaçadas (Pedro e Amélia), circundado por uma orla azul-ferrete com o lema "AMOR E FIDELIDADE". Este lema não apenas homenageava o casal imperial, mas também se tornava um ideal a ser perseguido pelos agraciados que demonstravam mérito cívico e militar à Pátria.

Curiosidade: O desenho da insígnia, que alguns historiadores sugerem ter sido idealizado por Jean-Baptiste Debret, pode ter se inspirado nas rosas que ornavam o vestido de Dona Amélia em seu desembarque ou em um botão de rosa que ela trazia em seu toucado em um retrato enviado antes de sua chegada.

Durante o período imperial, a Ordem da Rosa rapidamente se consolidou como uma das condecorações mais ambicionadas. Ela foi utilizada para agraciar militares e civis, nacionais e estrangeiros, que se destacavam por serviços notáveis prestados ao Brasil.


A Ordem era dividida em seis classes, com um número limitado de membros em algumas categorias para manter o prestígio da condecoração:


  1. Grã-Cruz

  2. Grande-Dignitário

  3. Dignitário

  4. Comendador

  5. Oficial

  6. Cavaleiro


O Imperador Dom Pedro II, filho e sucessor de Dom Pedro I, regulamentou a Ordem em 1861 e expandiu significativamente sua concessão. Ao longo de seu reinado, ele agraciou mais de 14.000 cidadãos. As condecorações eram concedidas por atos de bravura e mérito em tempos de paz e guerra — notavelmente durante a Guerra do Paraguai, na ausência de uma medalha específica para atos de bravura individual.


Somente uma pessoa além dos dois Imperadores (Dom Pedro I e Dom Pedro II) foi agraciada com o Grande-Colar da Ordem durante sua vigência: Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias.


O estatuto original da Ordem estabelecia de forma clara o papel do Soberano:


  • Grão-Mestre da Ordem: Era e seria sempre o Imperador do Brasil. Isso significa que o Grão-Mestrado estava inerentemente ligado à chefia da Coroa e, após a Proclamação da República, à chefia da Casa Imperial do Brasil.

  • Grande-Dignitário-Mor: Cargo reservado ao Príncipe Imperial, o herdeiro presuntivo da Coroa.


O Grão-Mestrado simboliza a fonte da honra na monarquia, sendo o Imperador o guardião e distribuidor das mercês da Ordem.


Com a Proclamação da República em 1889 e a consequente abolição das ordens honoríficas imperiais pela Constituição de 1891, a Imperial Ordem da Rosa foi oficialmente extinta como ordem nacional.

Entretanto, de acordo com o direito dinástico, a Ordem continua a ser mantida como uma ordem dinástica da Casa Imperial do Brasil, sendo a única fonte de honra remanescente para a família real brasileira.


O Grão-Mestrado da Ordem é, portanto, exercido pelo Chefe da Casa Imperial. Atualmente, este cargo é ocupado por Sua Majestade Imperial Dom Bertrand de Orleans e Bragança, do Brasil, desde 15 de julho de 2022.


A Ordem, em sua capacidade dinástica, não confere títulos ou honras no âmbito da República Federativa do Brasil, mas é um reconhecimento dentro da tradição da família real e é concedida a indivíduos que, aos olhos da Casa Imperial, merecem distinção por serviços notáveis à tradição e à causa monárquica brasileira. A prática mantém viva a memória da instituição e de seus ideais de Amor e Fidelidade que moldaram a condecoração mais romântica do Brasil Império.


A Imperial Ordem da Rosa é mais do que uma peça histórica; é um artefato que carrega consigo a essência de um período, nascida de um enlace matrimonial e evoluída para uma ferramenta de reconhecimento e estímulo ao mérito nacional. Sua continuidade como ordem dinástica assegura que o legado de Dom Pedro I e Dona Amélia, centrado no lema "Amor e Fidelidade", permaneça um símbolo tangível da história e das tradições monárquicas do Brasil.


 
 
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