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Casa de Albuquerque Cavalcanti

A Casa Nobre de Albuquerque Cavalcanti é uma tradicional linhagem familiar e genealógica brasileira. Ela representa a continuidade histórica de antigas linhagens da nobreza portuguesa, da aristocracia de Florença e da elite colonial pernambucana, reunidas por sucessivas alianças matrimoniais estabelecidas no Nordeste do Brasil.

 

Origens da Linhagem

A linhagem originou-se no Reino de Portugal no século XIV, descendendo da ilustre linhagem peninsular dos Meneses. O tronco principal formou-se a partir da união entre D. Teresa Martins Teles de Meneses e D. Afonso Sanches (filho legitimado do rei D. Dinis), que adotaram o sobrenome toponímico derivado da vila de Albuquerque, na fronteira com a Espanha.

 

No Brasil, a linhagem teve início com Jerônimo de Albuquerque (1510–1584), conhecido como "O Torto" ou o "Adão Pernambucano", devido à sua vasta descendência que deu origem a inúmeras famílias tradicionais do Nordeste. Ele era irmão de D. Brites de Albuquerque (esposa do Donatário Duarte Coelho) e exerceu o cargo de 10º Governador da Capitania de Pernambuco.

Após ser ferido e capturado em conflitos contra os indígenas Tabajaras, Jerônimo foi salvo por Muira Ubi, filha do cacique Uirá Ubi (Arco Verde). O casamento entre ambos selou a paz entre os nativos e os colonizadores portugueses. Ao ser batizada, a indígena recebeu o nome de Maria do Espírito Santo Arcoverde.

 

A fusão das duas estirpes ocorreu por meio do casamento de D. Catarina de Albuquerque ("A Velha") — filha de Jerônimo e Maria Arcoverde — com o fidalgo florentino Filippo di Giovanni Cavalcanti, estabelecendo a prestigiosa linhagem dos Cavalcanti de Albuquerque.

Filippo era filho de Giovanni di Lorenzo di Filippo Cavalcanti, um importante mercador e banqueiro florentino que possuía uma Casa da Moeda em Londres e mantinha correspondência com o rei Henrique VIII da Inglaterra. Devido a essa proximidade, Henrique VIII concedeu modificações heráldicas à família, fazendo com que o Brasão de Armas dos Cavalcantis de Pernambuco possua uma asna de azul carregada de um leonel de ouro e duas flores de lis, diferenciando-se dos demais ramos europeus.

 

O Ramo da Capitania de Ararobá

A expansão da família para o interior de Pernambuco consolidou-se na Capitania de Ararobá, impulsionada pela união de duas grandes estruturas genealógicas através do casamento entre o Capitão-mor Manuel Leite da Silva e D. Maria Cavalcanti de Albuquerque.

 

O Capitão-mor Manuel Leite da Silva (1715–1791), Nascido na Ilha do Ferro (Alagoas) e falecido em Pernambuco, foi o fundador da cidade de Pedra (PE). Atuou como Capitão de Cavalos, Comandante da Freguesia de Ararobá, Vereador, Presidente do Senado e da Câmara, além de Juiz Ordinário de Cimbres. Era filho do desbravador Bento Leite de Oliveira (oriundo da histórica Casa do Arco em Guimarães, Portugal) e de D. Inocência da Silva Cavalcanti (esta, por sua vez, oito vezes descendente de Jerônimo de Albuquerque).

 

D. Maria Cavalcanti de Albuquerque (1725–1753), esposa do Capitão-mor Manuel Leite da Silva, era filha do Capitão Manuel Araújo Cavalcanti e de D. Brásia Cavalcanti Bezerra. Sua ascendência remonta diretamente a Pedro Cavalcanti de Albuquerque e Antônio Cavalcanti de Albuquerque ("O da Guerra"), heróis da resistência militar contra a invasão holandesa e bisnetos do fidalgo Filippo Cavalcanti.

Territórios e Expansão

A trajetória histórica da Casa está profundamente ligada à ocupação, desenvolvimento socioeconômico e pecuária do interior de Pernambuco. Seus domínios incluíam engenhos e fazendas espalhados pelas atuais cidades de:

  • Pedra

  • Venturosa

  • Buíque

  • Águas Belas

  • Garanhuns

  • Pesqueira

  • Arcoverde

  • Cabo de Santo Agostinho (onde se localizava o célebre Engenho Noruega)

 

Membros e Descendentes Notáveis

A descendência direta do Capitão-mor Manuel Leite da Silva e da Casa Nobre de Albuquerque Cavalcanti produziu diversas figuras de destaque na história política, eclesiástica e militar do Brasil:

 

Nobreza do Império do Brasil

  • Lourenço Cavalcanti de Albuquerque Maranhão (1804–1867): 1º Barão com Grandeza de Atalaia.

  • Antônio Alves da Silva (1807–1873): 1º Barão de Amaraji e Senhor de Engenho.

  • Francisco Alves Cavalcanti (1808–1896), "O Camboim": 1º Barão de Buíque, deputado e herói da Revolta da Cabanada.

  • Lourenço Bezerra Alves da Silva (1832–1900): 1º Barão de Caxangá e Coronel.

  • Paulo Jacinto Tenório de Albuquerque (1839–1927): 1º Barão de Palmeira dos Índios e Coronel Comandante.

  • D. Maria Ana Francisca de Paula Cavalcanti de Albuquerque (1816–1891): 1ª Condessa de Boa Vista.

 

Nobreza Eclesiástica

  • Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti (1850–1930): Primeiro Cardeal da Igreja Católica na América Latina.

 

Chefes de Poder e Figuras Políticas (República)

  • Dr. Sérgio Teixeira Lins de Barros Loreto (1867–1937): 20º Governador do Estado de Pernambuco.

  • Dr. Carlos de Lima Cavalcanti (1892–1967): 22º Governador do Estado de Pernambuco.

  • Dr. Etelvino Lins de Albuquerque (1908–1980): 35º Governador do Estado de Pernambuco.

  • Dr. Armando de Queiroz Monteiro Filho (1925–2018): Ministro da Agricultura.

  • Dr. Natalício Tenório Cavalcanti de Albuquerque (1906–1987): Deputado Federal conhecido como o "Homem de Capa Preta", cuja vida inspirou uma famosa adaptação cinematográfica em 1986.

Casa de Albuquerque Cavalcanti

O Patriarca da Família Cavalcante no Brasil Filippo di Giovanni Cavalcanti

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Origem

País

Reino de Portugal

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Fundador

.

Fundação

Século XIV

Chefe de Nome e Armas da Casa de Albuquerque Cavalcanti

Chefe da Casa

.

Sucessor

.

Estado atual

Ramificada

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